Vovô Antônio Cintrão veio de Figueira da Foz, Sampaio, Moinho das Figueiras, Marinha das Ondas. Como tantos outros portugueses, vovô venceu as águas do Atlântico para encontrar na Terra Nova um sentido para sua vida; conquistou seu destino em São Paulo.
Entre paulistas constituiu sua família brasileira, compondo com vovó Donária uma dupla de peregrinos pelas terras do Interior paulista. Maria Luiza, minha mãe, nasceu em Jaú. Yolanda - a tia que viaja com minha irmã Suely à santa terrinha - nasceu em Taquaritinga. E tio João nasceu em Santa Rita do Passa Quatro. Entre idas em vindas, a família estabeleceu-se na Capital, São Paulo.
José, irmão de vovô Antônio, também veio ao Brasil estimulado pelas possibilidades brasileiras. Casou-se com a irmã de vó Donária, Anita, e instalou-se em Nova Europa, perto de Araraquara, onde constituiu família e viveu por muitos e muitos anos até morrer. Um outro irmão deles, João, também tentou a sorte nestas terras, mas não se deu bem, voltando a Portugal onde casou-se com Maria José, tendo cinco filhos.
Enfim, a história é comprida, ficas para outro dia. O que cabe destacar aqui é que Tia Landinha e a sobrinha Suely seguem a Portugal para encontrar as raízes da família. Vão conhecer a prima Belmira, neta do João que voltou. Ela mora no lugar de origem de todos nós, um santuário da família.
É curioso que eu esteja pesquisando o processo de desenvolvimento histórico das marionetes (marionetas, em Portugal; ou bonifrates, como antigamente). O teatro de bonecos do Brasil deve muito a essa raiz e é isso que busco comprovar.
Tudo indica que os espetáculos de animação com bonecos já tivessem aportado em terras brasileiras muito antes do sucesso das óperas de Antônio José da Silva, O Judeu - brilhante marionetista que foi sacrificado pela Santa Inquisição no século XVIII.
É bem provável que os catequizadores da Igreja Católica, especialmente jesuítas, tenham trazido marionetes na bagagem ainda no século XVI. Mais provável ainda que os bonecos fossem a animação dos tripulantes dos navios da época. Animação nada religiosa que teria aportando (e agradado) nestes brasis.
Ah, mas essa conversa é cansativa. O que importa é que Landinha e Su estão singrando os mares do Atlântico no caminho de volta da Família Cintrão, do Brasil para Portugal. Uma saga iniciada no início do século XX e que ainda tem muita história para ser construída. Parte dela vai ser contada quando as duas voltarem ao Brasil, enriquecidas por um reencontro familiar intercontinental que é prometido há décadas.


4 comentários:
Oi primo Maurício :
Sua participação no evento dessa viagem familiar é fundamental para que possamos consolidar no retorno
o histórico dessa saga cintroniana.
CACAU
Saga Cintroniana foi sensacional! Parabéns por mais um texto brilhante Balu! Essa sensação de retorno às origens é realmente gratificante, ainda mais para nossas duas protagonistas que devem estar desfrutando de luxos que o Vô Cintrão jamais imaginaria poderem existir a bordo de um navio!
Confirmo presença no evento, seja ele quando for!!! Abraço pra quem for de abraço e beijo pra quem for de beijo!
Rodrigo
Então teve um tio que aportou em Santa Rita do Passa Quatro? Terra de Zequinha de Abreu. Onde morei e frequentei meus primeiros saraus!!!
Acho tão gostoso quando encontro pessoas que sabem da sua paulista localização que até me abstraí do tema central da sua crônica, as marionetes... (rs)
BÊijinhos da BÊ
Estou fazendo um levantamento de documentos para dupla cidadania.
Graças ao Cacau, ja consegui algum material.
Será util nem tanto para nós mas para nossos filhos e netos quem sabe!
Tendo mais noticias te aviso!
Qto à cronica, sempre me surpreendo com lagrimas ou sorrisos involuntarios qdo as leio!
Querendo ou não és meu idalo!
Abraços mano!
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