20/03/2010

Maninhas

Lembro das maninhas cantando nos finais da tarde de Ilhabela. E do quanto nos transmitiram o amor pelas raízes portuguesas. Yolanda agora volta a Portugal para fazer o que a Maria Luiza não conseguiu: visitar o epicentro deste terremoto chamado Cintrão que ainda provoca tremores (de amores e desamores) nos quatro cantos do mundo.


Tem Cintrão em tudo quanto é lugar. Nem preciso de muito esforço para provar. De brincadeira, abri uma comunidade no Orkut chamado Família Cintrão. Sem promover atividades, já alcançamos mais de 70 representantes.

Meu irmão Roberto, o Tio Beto da Internet, já sabia disso há mais de 40 anos. Foi ele quem retomou contato com vários os primos em meados dos anos 1960. Naqueles tempos o Google não era cogitado nem pela ficção científica. As pesquisas eram feitas à unha, ou melhor, a dedo, por carta.

E como o Beto chegou à família?

Ele conta que, depois que passou o trauma da morte do Vovô Cintrão (esse é um capítulo triste, que merece registro outro dia), Landa e Iza foram ajudar a vovó a se desfazer das coisinhas do véio e encontraram endereços dos irmãos dele em Portugal.

“Com esses endereços, comecei a pesquisar via correio (carta), solicitando informações sobre quem era quem e quem ainda estava vivo”, narra o Beto. “Quem me respondeu pela primeira vez foi a Belmira”. E as correspondências se seguiram, primeiro com ele, depois com a mamãe, porque o Beto não tinha paciência para escrever.

A Velha Iza chegou a viajar a Portugal, mas não conseguiu visitar a Marinha das Ondas, onde estão as raízes da família. Mas a maninha Yolanda leva a primogênita da família de Iza até lá. É como se todos os filhos de Maria Luiza estivessem até Figueira da Foz.

Com certeza todos estaremos em espírito. Aquele espírito de porco, que faz troça e piada com tudo e não perdoa nada. Porque essa família perde o amigo, mas não perde a piada. Landinha e Suely são legítimas representantes dessa estirpe que teve início lá nos tempos em que algum engraçadinho apelidou o bife com ovo de “bife a camões” e caolho assim ficou o prato.

Mas esse é outro cardápio que fica para outras piadas.

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