Gosto do verbo barulhar.
Até bem pouco tempo, usava a palavra meio em tom de brincadeira e nem sabia que era verbo dicionarizado. Por acidente, acabei parando no Aurélio e encontrei o verbete.
Estava procurando “marulho” e não sei por quais cargas d’água, acabei arrastado pela correnteza da curiosidade até o verbo barulhento. Agora, à distância daquele momento, faço algumas suposições.
Marulho, devia estar imaginando, é o som do mar. Nada disso! É o movimento ininterrupto do mar. Às vezes, nem faz barulho. Ato contínuo, devo ter ido xeretar pelos lados do “B”, talvez na dúvida de que “barulho” pudesse significar o movimento constante do bar. Não, barulho é barulho e ponto final.
Bar é barulhento, na maioria dos casos. Mas nem mesmo as lojas de conveniência têm barulho permanente. Entenda-se aí, barulho mesmo, não aqueles tin-tin-tins de máquinas eletrônicas ou os ron-ron-roncs de motores de frigorífico.
Mesmo os bares à beira-mar não têm tanta constância assim. Barulham apesar dos marulhos e da gente mareada que vem e vai ao ritmo das marés e da madrugada.
Marulham as correntezas, os calores e os frios da água salgada. Barulham em diversos humores pessoas e copos, navegando pelo bar. À beira-mar, ali, do ladinho do bar, o barulho das águas, entretanto, não é marulho, é chuá.
10/01/2010
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2 comentários:
Hummm!!! Então aquele marulho no ouvido da gente, quando andamos pela orla, é mesmo o sussurrar do mar querendo no contar algo surpreendente que possa nos motivar?
Sim, sim, sim, o mar é o arauto das bem-aventuranças.
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