27/11/2008

E se o filho não nasce da gente?

Meus amigos, publiquei o texto abaixo há 10 anos. Mas ele ainda é tão atual. Trata de um assunto que me toca muito forte. Fala sobre os pais adotivos que não revelam aos filhos sua condição de filhos escolhidos. Não fazem por maldade. E por isso mesmo, escrevi a crônica que segue.

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Se você tem filho adotivo e ele não sabe disso, acho que você ainda não tem um filho. Desculpe, mas filhos só são filhos de verdade quando podem ser filhos na verdade. Não importa se adotivos ou não. Eles não podem ser filhos de mentirinha. Mesmo porque, esses baixinhos têm uma capacidade incrível de saber de coisas que nem a gente sabe direito.

Há estudos mostrando que as crianças têm registros de memória desde os tempos de útero das genitoras. Genitoras, sim, esse nome estranho que faz referência àquelas que geraram. Genitoras são diferentes de mães, aquelas que criam, acompanham e sofrem, torcem a favor e dão castigo, amam, choram e cometem erros e acertos.

Pois, lá dos tempos em que estavam nas barrigas daquelas que os geraram, os filhos adotivos trazem lembranças por vezes irreconhecíveis. Muito desse reconhecimento depende do conhecimento das verdades sobre suas origens.

Dessa forma, falo daqui, meio metido: filhos adotivos não podem passar por filhos biológicos de pais adotivos. Quer dizer, podem até ser enganados por um tempo, mas, vai chegar a hora da verdade e se ela faltar, um ciclo fundamental não será concluído. Filho adotivo que não sabe da condição da adoção, vai ter muito mais dificuldades para ser filho em sua plenitude. No fundo, acredito que vai sofrer com um vazio inexplicável.

Não entenda aí que filhos adotivos são melhores ou piores do que filhos biológicos. A condição de filhos se dá pela relação construída ao longo do tempo e não pela consangüinidade. A Tina, psicóloga amiga da minha família, diz que, se o parentesco pelo sangue fosse garantia de amor entre pais e filhos, não haveria abandono de filhos, ou de pais. Vivo repetindo isso.

Assim, volto ao princípio. Se você tem filho adotivo e ele não sabe disso, faça um esforço e encontre uma forma de entregar o mapa desse tesouro a ele. Conte a verdade. Não há maior prova de carinho. Vai mostrar, em definitivo, uma escolha que fez dele filho porque você tinha o amor que ninguém mais poderia dar.

06/11/2008

Cuidado com o MP3 da garotada!

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“Filho, baixa essa vitrola. Você vai acabar ficando surdo”.

Minha mãe ficava irritada quando ligávamos a Rádio-Vitrola Hi-Fi com o volume do som muito alto. Não tinha nada disso de estéreo, muito menos de surround sound. O máximo de tecnologia era o gravador Geloso, da Suely, minha irmã. O fone era um cacarequinho em plástico duro (acho que era braquelite) cor gelo, que mais parecia uma rolha de ouvido (era mono, é bom lembrar).

Bom, mas não é isso o que importa. Eu queria falar sobre tocar música em alto volume. Uma campanha lançada pela Sociedade Brasileira de Otologia faz um alerta muito importante. Os meninos já não incomodam tanto suas mães com barulhos ensurdecedores como nos meus tempos de vitrola. Mas estão ensurdecendo. Talvez até porque as mães já não gritem como antigamente.

Na raiz do problema estão os pequenos tocadores de MP3. De custo baixo e, por isso, acessíveis, eles ocupam parte do cotidiano dos jovens e adolescentes brasileiros. Mal utilizados, podem representar riscos à audição em proporções muito mais sérias do que os tocadores de long plays do passado.

Segundo informações da campanha da Sociedade Brasileira de Otologia, os tocadores MP3 podem alcançar intensidade sonora de até 120 decibéis, o que equivale ao barulho da turbina de avião ao decolar.

Minha mãe ficaria realmente irritada se eu ligasse a turbina de um avião na sala de casa, lá no Ipiranga, em São Paulo. Mas esses meninos usam fones ultra-potentes, que disfarçam o bombardeio dos putz-putz-putz barulhentos dos dias atuais.

O caso não é muito diferente dos jovens que têm iPODs, capazes de reproduzir sons com intensidade que varia de 100 a 115 decibéis, sendo que o nível sugerido pelos médicos é inferior a 60 decibéis.

Estudos desenvolvidos na Europa revelam que os jovens de 20 anos de idade, hoje, não percebem a perda de audição. Eles só vão experimentar as conseqüências dos abusos atuais quando tiverem cerca de 30 anos de idade. Aí será tarde.

Quer saber mais? Visite o site da campanha e divulgue. Acho que vale a pena.
http://www.saudeauditiva.org.br/

10 de novembro
Dia da Audição. E de abaixar o volume do mp3

Quer ver como era o gravador Geloso da minha irmã?
Clique no link abaixo. Ele mostra um aparelho igualzinho em gravação arquivada no Youtube.

http://www.youtube.com/watch?v=Cpq3HLtyOYE&NR=1