29/09/2008

Em quem votar?

Ainda não sei a quem oferecer meu voto para vereador. A natural capitalização dos debates pelos candidatos à Prefeitura concentra a apresentação de propostas e xingos apenas entre aqueles que disputam os cargos maiores. Mas em quem votar para vereador?

Estabeleci como foco da minha escolha o candidato ou a candidata que estiverem claramente comprometidos com cultura popular. Também considero candidatos que tenham propostas para revitalizar a produção cultural no Vale do Paraíba paulista a partir de São José dos Campos, onde voto.

O estabelecimento de meta desse gênero é bem interessante. Ajuda a definir projetos (ou expectativas) em relação ao vereador escolhido. Votarei nele ou nela e cobrarei resultados objetivamente. Mas não tenho a mínima idéia sobre como encontrar a pessoa merecedora da minha confiança.

Li prospectos, vi cartazes, até encontrei alguns candidatos em ruas e avenidas, mas não achei nenhum que falasse de cultura popular. Na Internet, a falta de informações é assustadora. Um instrumento de comunicação tão importante como a Rede não é usado por partidos e candidatos como deveria.

Antes de partir para a escolha de risco, na base do chute, devo repetir a dose de outras eleições: ouvir amigos que pensem e atuem de forma parecida comigo. Essa talvez seja a maneira mais segura de entregar um voto. Mesmo assim, nem sempre há informações suficientes para pesar os prós e contras das pessoas indicadas.

Alguns de vocês podem até estar se perguntando: ora, por que ele não vota no candidato das últimas eleições? Respondo sem mágoas: não repito a escolha porque aquele candidato me decepcionou. Ele nem se elegeu, mas andou falando besteiras entre uma eleição e outra (esta que está chegando). Merece o meu desprezo eleitoral.

Imagino que a mesma dificuldade em escolher candidatos deva estar afligindo outros eleitores. Especialmente aqueles que não participam ativamente de campanhas, ou que não tenham se identificado com algum. Talvez a dificuldade reflita um sistema eleitoral ainda a ser aprimorado.

Entendo que um candidato a vereador deva se dar a conhecer muito tempo antes das eleições, no dia-a-dia do bairro, da região. Propostas, projetos e metas não se definem da noite para o dia. Da mesma forma que a confiança não se conquista às pressas.

Não conheço ninguém que tenha feito esse trabalho com antecedência. Isso não significa que ninguém tenha feito isso. Espero que vários candidatos se enquadrem nessa categoria e eu apenas esteja desinformado.

O fato é que eu quero votar conscientemente. Você conhece alguém que esteja comprometido com a questão da cultura popular em São José dos Campos e região? Aceito sugestões. Pode escrever. Meu e-mail é cintrao arroba uol ponto com ponto br.

25/09/2008

Dentro da linha “surto, logo escrevo”...


Lembrei de quando achava ser mais fácil escrever sob o manto protetor de um apelido obscuro do que usar nome próprio (ou o próprio nome).


Mais tarde, experimentei aquela curiosa sensação de invulnerabilidade, me achando poderoso.


Nem lá, nem cá.


O ideal é puxar a linhada e, na falta de peixe, reabastecer o anzol com nova isca e, tchum, lançá-la ao mar novamente.

Tchum!

19/09/2008

Paralições


Um país não precisa de celebridades internacionais ou grandes recursos de marketing para competir com honra no universo dos esportes. Os atletas brasileiros que participaram das últimas Paraolimpíadas provaram isso.


Aliás, honra não foi a única qualidade daqueles meninos e meninas. A delegação brasileira foi formada por 188 vitoriosos. Pois a viagem que os levou até lá teve início há muitos anos e envolveu competições que ultrapassaram os limites de estádios, quadras e piscinas.


Antes de competirem contra outros atletas do mesmo nível, eles tiveram que lutar contra adversários cruéis e traiçoeiros, como o preconceito, a ignorância e a falta de oportunidades.


O Brasil não é um país que investe em esportes olímpicos, nem em pessoas com deficiência. Não é difícil imaginar o grau de dificuldades daqueles atletas que também são pessoas com deficiência.


Mas eles chegaram à China e não foi por acaso. Superaram muitas dificuldades e, de quebra, ganharam 47 medalhas, bateram recordes e deram um banho de exemplo. Mais ainda, os atletas paraolímpicos brasileiros ofereceram a todos nós um prêmio que supera em muito os 16 ouros, as 14 pratas e os 17 bronzes.


Eles nos permitiram reconhecer que o Brasil de verdade é muito mais próximo dos meninos e meninas que estavam nas Paraolimpíadas do que dos decepcionantes e milionários craques do futebol derrotado nas Olimpíadas.


A equipe de cegos da delegação paraolímpica brasileira, por exemplo, ganhou uma medalha de ouro no futebol porque teve o que faltou aos videntes e famosos na Olimpíada: garra e vergonha na cara.


A delegação paraolímpica brasileira mostrou que nem tudo está perdido. Ao lado de alguns atletas que se destacaram nas últimas Olimpíadas pela mesma perseverança e coragem, os atletas paraolímpicos lembraram a todos nós que ainda vale a pena torcer pelo esporte do Brasil. É só acreditar que celebridade não é sinônimo de sucesso. É só espantar a bruxa do pouco caso, da discriminação e da intolerância.


Valeu, paraolímpicos do Brasil! Com vocês é mais gostoso ser brasileiro.
(crônica publicada no Jornal do Site de Odonto - www.jornaldosite.com.br)