Meus amigos, publiquei o texto abaixo há 10 anos. Mas ele ainda é tão atual. Trata de um assunto que me toca muito forte. Fala sobre os pais adotivos que não revelam aos filhos sua condição de filhos escolhidos. Não fazem por maldade. E por isso mesmo, escrevi a crônica que segue.
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Se você tem filho adotivo e ele não sabe disso, acho que você ainda não tem um filho. Desculpe, mas filhos só são filhos de verdade quando podem ser filhos na verdade. Não importa se adotivos ou não. Eles não podem ser filhos de mentirinha. Mesmo porque, esses baixinhos têm uma capacidade incrível de saber de coisas que nem a gente sabe direito.
Há estudos mostrando que as crianças têm registros de memória desde os tempos de útero das genitoras. Genitoras, sim, esse nome estranho que faz referência àquelas que geraram. Genitoras são diferentes de mães, aquelas que criam, acompanham e sofrem, torcem a favor e dão castigo, amam, choram e cometem erros e acertos.
Pois, lá dos tempos em que estavam nas barrigas daquelas que os geraram, os filhos adotivos trazem lembranças por vezes irreconhecíveis. Muito desse reconhecimento depende do conhecimento das verdades sobre suas origens.
Dessa forma, falo daqui, meio metido: filhos adotivos não podem passar por filhos biológicos de pais adotivos. Quer dizer, podem até ser enganados por um tempo, mas, vai chegar a hora da verdade e se ela faltar, um ciclo fundamental não será concluído. Filho adotivo que não sabe da condição da adoção, vai ter muito mais dificuldades para ser filho em sua plenitude. No fundo, acredito que vai sofrer com um vazio inexplicável.
Não entenda aí que filhos adotivos são melhores ou piores do que filhos biológicos. A condição de filhos se dá pela relação construída ao longo do tempo e não pela consangüinidade. A Tina, psicóloga amiga da minha família, diz que, se o parentesco pelo sangue fosse garantia de amor entre pais e filhos, não haveria abandono de filhos, ou de pais. Vivo repetindo isso.
Assim, volto ao princípio. Se você tem filho adotivo e ele não sabe disso, faça um esforço e encontre uma forma de entregar o mapa desse tesouro a ele. Conte a verdade. Não há maior prova de carinho. Vai mostrar, em definitivo, uma escolha que fez dele filho porque você tinha o amor que ninguém mais poderia dar.
27/11/2008
E se o filho não nasce da gente?
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2 comentários:
Parabéns por ter escolhido ser pai adotivo! Exemplo que poucos estão aptos a dar.
Cris
Lindo post! Realmente, entre nascer da barriga e nascer do coração não há muita diferença... Mas fazer com que a criança saiba, com jeitinho e tato, é respeitá-la como ser humano e ajudá-la a construir a própria história, sabendo que, num mundo cheio de incertezas, ela pode contar com a certeza de um amor incondicional: ser filha não por destino, e sim por opção =)
Beijim e um ótimo dia!!
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