
Estatísticas são sempre fascinantes, mas perigosas. É preciso cuidado para não tomar como definitivas algumas interpretações de estudos e pesquisas. Nem sempre elas representam a palavra final em questões polêmicas. Coletei alguns dados referentes à infância e à adolescência no Brasil que chamaram minha atenção. Coisas publicadas pela mídia entre uma tragédia de grande audiência e outra. Alguns segmentos da indústria midiática dependem dos dramas sensacionalistas para sobreviver. Como se o urubu precisasse fabricar carniça para continuar voando. Mas isso não vem ao caso neste texto.
Fábrica de gordinhos
Pesquisa realizada pela Universidade Nacional de Brasília revelou que a propaganda de alimentos com alto teor de gordura, sal e açúcar manda no horário da tarde em emissoras de TV. Foram avaliadas 128 mil peças publicitárias em 4.108 horas de programação de dois canais de TV aberta e dois de TV a cabo. Os fast-foods representaram 18% das peças publicitárias, seguidos por sorvetes e guloseimas (17%). A propaganda de alimentos esteve concentrada no período da tarde, quando crianças e os adolescentes tendem a ficar mais vulneráveis pela falta de adultos por perto. Nos canais de TV paga dedicados ao público infanto-juvenil, 49% dos comerciais foram de produtos alimentícios.
Eu sei que não sou um rato, mas...
Uma pesquisa feita com camundongos nos Estados Unidos revelou que a dieta rica em gordura e açúcar aciona uma proteína que condiciona o organismo
a consumir mais alimentos do que o normal, levando à obesidade. O estudo foi produzido por pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison. Eles investigavam a "inflamação metabólica", um problema observado com freqüência em doenças relacionadas à obesidade. Uma proteína ligada às inflamações em camundongos foi ativada sempre que os animais comiam alimentos com muito açúcar e gordura. Depois disso, as cobaias passaram a comer mais.
Gordinhos e conforto
De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística referente ao período 2002-2003 e divulgada recentemente, o excesso de peso já afeta um em cada cinco meninos nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. As informações constam do estudo de Medidas Antropométricas de Crianças e Adolescentes, que revela evidências de associação entre renda familiar e excesso de peso. No sexo masculino, a freqüência do problema aumenta com a renda, indo de 8,5% na menor classe de renda (até 0,5 salário mínimo per capita) até 28,2% na maior classe de renda (5 ou mais salários mínimos per capita).
Sem sopa de letrinhas
Em compensação, o Brasil miserável revela ops efeitos da falta de tudo. Atualmente, há 2,1 milhões de crianças com idades entre 07 e 14 anos que estão na escola, mas não sabem ler nem escrever. A maioria desses analfabetos vive no Norte e Nordeste do País (27,4%), as regiões mais pobres do Brasil. Na rota do analfabetismo dentro escola estariam professores mal preparados, mal remunerados e com excesso de trabalho, pais analfabetos que não têm tempo (nem ferramental) para ajudar aos filhos e crianças que precisam trabalhar para ajudar em casa. Aliás, das crianças que trabalham, 36,5% são explorados em fazendas, sítios e granjas. Os dados compõem a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) referente a 2007.
Fábrica de gordinhos
Pesquisa realizada pela Universidade Nacional de Brasília revelou que a propaganda de alimentos com alto teor de gordura, sal e açúcar manda no horário da tarde em emissoras de TV. Foram avaliadas 128 mil peças publicitárias em 4.108 horas de programação de dois canais de TV aberta e dois de TV a cabo. Os fast-foods representaram 18% das peças publicitárias, seguidos por sorvetes e guloseimas (17%). A propaganda de alimentos esteve concentrada no período da tarde, quando crianças e os adolescentes tendem a ficar mais vulneráveis pela falta de adultos por perto. Nos canais de TV paga dedicados ao público infanto-juvenil, 49% dos comerciais foram de produtos alimentícios.
Eu sei que não sou um rato, mas...
Uma pesquisa feita com camundongos nos Estados Unidos revelou que a dieta rica em gordura e açúcar aciona uma proteína que condiciona o organismo
a consumir mais alimentos do que o normal, levando à obesidade. O estudo foi produzido por pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison. Eles investigavam a "inflamação metabólica", um problema observado com freqüência em doenças relacionadas à obesidade. Uma proteína ligada às inflamações em camundongos foi ativada sempre que os animais comiam alimentos com muito açúcar e gordura. Depois disso, as cobaias passaram a comer mais.Gordinhos e conforto
De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística referente ao período 2002-2003 e divulgada recentemente, o excesso de peso já afeta um em cada cinco meninos nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. As informações constam do estudo de Medidas Antropométricas de Crianças e Adolescentes, que revela evidências de associação entre renda familiar e excesso de peso. No sexo masculino, a freqüência do problema aumenta com a renda, indo de 8,5% na menor classe de renda (até 0,5 salário mínimo per capita) até 28,2% na maior classe de renda (5 ou mais salários mínimos per capita).
Sem sopa de letrinhasEm compensação, o Brasil miserável revela ops efeitos da falta de tudo. Atualmente, há 2,1 milhões de crianças com idades entre 07 e 14 anos que estão na escola, mas não sabem ler nem escrever. A maioria desses analfabetos vive no Norte e Nordeste do País (27,4%), as regiões mais pobres do Brasil. Na rota do analfabetismo dentro escola estariam professores mal preparados, mal remunerados e com excesso de trabalho, pais analfabetos que não têm tempo (nem ferramental) para ajudar aos filhos e crianças que precisam trabalhar para ajudar em casa. Aliás, das crianças que trabalham, 36,5% são explorados em fazendas, sítios e granjas. Os dados compõem a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) referente a 2007.

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