Às vezes, tenho a impressão de que a promessa de uma crônica pode representar uma punição e não uma simpática homenagem. Eu falo: “vou escrever uma crônica sobre você, ou sobre sua atitude, ou sobre sua história”... Alguns interlocutores reagem com estranheza, quase com má-criação. Já houve casos de quem reclamasse. Uma ou outra vez já foram diretos: disseram que não queriam e pronto.
Tenho que concordar com o azedume da homenagem indesejada. Não há pior situação do que aquela em que o homenageado ou seus amigos reclamam da inconveniência de quem homenageia. Um exemplo clássico é o caso da festa de despedida do colega de trabalho que se aposenta. Em geral, esse tipo de homenagem é na base da surpresa.
No dia do tributo, todo mundo descobre que o homenageado não queria a consideração. Pior, não gostava da maioria das pessoas que foram ao local da confraternização. Muito pior: seu sucessor foi o mais irritante da companhia, cidadão que vivia chamando o alvo da despedida de folgado. E o pessoal da Comunicação ainda fez uma faixa muito infeliz: “JOCA, APROVEITE A FOLGA!”.
Ou seja, melhor sondar a vítima discreta, mas claramente, para evitar o desastre. Pode ser mais proveitoso enviar o presente de despedida pelo Correio, com um simpático cartão assinado até por quem não conheceu o “falecido”.
Sempre que posso, verifico antes de cometer a crônica-homenagem. O problema é que nem sempre dá para perceber quando o texto vai provocar desgosto. Por isso, ainda me engano. E faço crônicas aparentemente simpáticas, até bem humoradas sobre pessoas que sequer apreciam o gênero.
Continuo acreditando que a vida do fabricante amador de velas perfumadas seja bem pior (para os amigos e conhecidos). Você já experimentou vela perfumada (mal) feita em casa? Daquelas que nem precisam ser acesas para fazerem o ambiente cheirar a sauna?
Enfim, correr riscos de ser desagradável é um dos desafios do cronista bissexto. Como um amigo que também escreve e às vezes escolhe o alvo errado. Certa vez, ficou sabendo que uma conhecida - daquelas com quem se troca e-mails mais freqüentemente -, estava chateada porque não encantava o parceiro que tanto desejava.
Com a melhor das intenções, o amigo-cronista escreveu um texto inspirado, cheio de lirismo, bonito mesmo. Enviou para a amiga, dizendo que havia pensado nela. E correspondente respondeu lânguida. “Pois é isso mesmo o que eu sinto por você”.
Mais fácil é homenagear quem não quer. Ou ganhar velas hiper-mega-perfumadas.
Tenho que concordar com o azedume da homenagem indesejada. Não há pior situação do que aquela em que o homenageado ou seus amigos reclamam da inconveniência de quem homenageia. Um exemplo clássico é o caso da festa de despedida do colega de trabalho que se aposenta. Em geral, esse tipo de homenagem é na base da surpresa.No dia do tributo, todo mundo descobre que o homenageado não queria a consideração. Pior, não gostava da maioria das pessoas que foram ao local da confraternização. Muito pior: seu sucessor foi o mais irritante da companhia, cidadão que vivia chamando o alvo da despedida de folgado. E o pessoal da Comunicação ainda fez uma faixa muito infeliz: “JOCA, APROVEITE A FOLGA!”.
Ou seja, melhor sondar a vítima discreta, mas claramente, para evitar o desastre. Pode ser mais proveitoso enviar o presente de despedida pelo Correio, com um simpático cartão assinado até por quem não conheceu o “falecido”.
Sempre que posso, verifico antes de cometer a crônica-homenagem. O problema é que nem sempre dá para perceber quando o texto vai provocar desgosto. Por isso, ainda me engano. E faço crônicas aparentemente simpáticas, até bem humoradas sobre pessoas que sequer apreciam o gênero.
Continuo acreditando que a vida do fabricante amador de velas perfumadas seja bem pior (para os amigos e conhecidos). Você já experimentou vela perfumada (mal) feita em casa? Daquelas que nem precisam ser acesas para fazerem o ambiente cheirar a sauna?
Enfim, correr riscos de ser desagradável é um dos desafios do cronista bissexto. Como um amigo que também escreve e às vezes escolhe o alvo errado. Certa vez, ficou sabendo que uma conhecida - daquelas com quem se troca e-mails mais freqüentemente -, estava chateada porque não encantava o parceiro que tanto desejava.
Com a melhor das intenções, o amigo-cronista escreveu um texto inspirado, cheio de lirismo, bonito mesmo. Enviou para a amiga, dizendo que havia pensado nela. E correspondente respondeu lânguida. “Pois é isso mesmo o que eu sinto por você”.
Mais fácil é homenagear quem não quer. Ou ganhar velas hiper-mega-perfumadas.

1 comentários:
Poderia ser pior, Lembra da Homenagem de Milton Nascimento(ante póstuma)a Teotônio Vilela, entre outros?
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