03/03/2008

E a geladeira volta

Pelo jeito, eu não devo voltar. Mas a geladeira volta. Parece gozação. Enquanto mudo de escritório novamente em direção à Grande São Paulo (Santa Isabel), minha velha geladeira vai voltar para Pindamonhangaba.

E não pense que é uma mudança de alguém da família. Em uma daquelas coincidências incríveis, a velha guerreira foi comprada por uma família que está de mudança para Pinda. Eles nem sabem que compramos a bonitona por lá, de segunda mão.

A história é tão curiosa que vale a pena lembrar.

Eu tinha uma pequena geladeira nova. Só que não dispunha daquelas modernidades de descongelamento automático. Como o meu esporte predileto é batucar na geladeira com a porta aberta, enquanto penso no que vou comer, o congelador parecia maquete da Era Glacial.

Certo dia, num acesso de limpeza, resolvi aliviar o congelador da carga excessiva de gelo. Para tanto, peguei uma faca daquelas bem grandes. Você já está rindo porque sabe o que aconteceu. Pois é, furei o congelador e o gás foi para o espaço.

Reconheço que uma parte pequena (mínima, ínfima, eu diria) do buraco da camada de ozônio foi provocada pela minha ex-geladeira nova. Mas isso não vem ao caso.

Além da vontade de morrer de vergonha por ter cometido essa enorme burrice, fiquei triplamente encabulado porque a Viviane estava para chegar do supermercado, onde já havia feito as compras do mês.

Não é preciso ser da polícia ou da divisão de psiquiatria de um hospital para fazer o alerta: mulher que volta do supermercado com o carro cheio e descobre que o parceiro destruiu a geladeira faz mal à saúde (do parceiro).

Tirando os aspectos meramente dinâmicos da situação (eu corria e ela corria atrás com a vassoura em punho), chegamos a um acordo: era preciso consertar o equipamento. E numa dose de sorte daquelas (sempre tem um lado bom), encontramos uma assistência técnica funcionando (era sábado, quase à hora do almoço).

O técnico foi muito gentil, logo apareceu e procedeu ao conserto, com a seguinte recomendação. “Vamos aguardar até amanhã (domingo). Se não funcionar, eu volto”. Você acreditaria? Eu não acreditei. O fato é que a geladeira não funcionou, ligamos para o técnico e ele voltou.

Mais do que apenas voltar em pleno domingo. Reapareceu com uma outra geladeira para usarmos enquanto consertava de vez a furadinha, o que demoraria dois ou três dias. E fez isso de graça. Pura prestação de serviços, como eu não via há muito tempo.

Pois bem, a geladeira ex-nova foi muito bem consertada. Quando passamos na oficina do técnico para acertar a conta (teve isso, não pagamos na hora pelo serviço) vimos que ele tinha uma linda geladeira dúplex, frost free e o diabo a quatro.

Bom, para encurtar a história, demos a ex-nova geladeira de entrada e compramos a bonitona, de segunda mão, mas muito maior. Pois é ela mesma que agora, dois ou três anos depois, volta à cidade onde foi comprada.

E eu espero de coração que dê muitas alegrias à família que a leva. Porque para nós ela foi muito útil e importante. Especialmente para nos lembrar que ainda é possível acreditar na prestação de serviços de algumas assistências técnicas. Especialmente no interior, onde a palavra basta e o apalavrado vale mais do que mil contratos.

E viveram felizes (e gelados) para sempre.

2 comentários:

Kenia Mello disse...

Pois foi justamente isso que eu pensei, Balu: essa assistência que fez jus ao nome aconteceu porque foi numa cidade do interior...
Nas cidades grandes, palavra virou moeda furada...
Beijos.

Nathale disse...

Bobaaaaaaagem.... quem precisa de camada de Ozônio?!!!
Eh amigo... não foi o único que fez essa grande grande grande burrice... acabei de fazer o mesmo(essa tarde), descobri as duas horas da manhã (agora) e parece que não tem jeito no meu caso, pq nem na cidade grande tem assistência tecnica nesse horário... e eu, a esposa quase dona de casa, ainda tive que ouvir do meu marido: "você, que é o homem da casa, te vira".
É... parabéns pela sua sorte, e boa sorte pra mim!