18/02/2008

Nós, os diabéticos


Emagreci barbaridades. Coisa de vinte e tantos quilos. Provoco expressões de horror no reencontro de pessoas que não me viam há muito tempo. Não duvido que já tenham suspeitado de doença gravíssima. Como há muita gente que me conhece, resolvi fazer este aviso. Não vou morrer tão cedo. Esse, pelo menos, é o meu intento. Quero viver muito e os exames médicos confirmam que estou bem. Apenas sou diabético.

A doença manifestou-se no final do ano passado, mas eu não dei muita atenção. Veio chegando de mansinho, provocando muita sede e visitas freqüentes ao mictório. Em dezembro, uma disenteria arrasadora me obrigou a só beber caladinhos. E até pensei que a dieta estava funcionando. Em coisa de pouco mais de um mês, emagreci de fazer inveja a cliente de Spa.

Apesar da alegria pela perda de peso e de recuperar roupas que não cabiam, achei melhor consultar um médico. Pimba! Minha dieta pós-disenteria não era tão revolucionária assim. O exame de glicemia mostrou que estou em uma fase , digamos, inicial do diabetes. Coisa que permite controle com comprimidos, dieta e exercícios.

De certa forma, volto ao passado e não só porque estou cabendo nas roupas guardadas há anos. O diabetes não me é estranho. Minha mãe e meu avô, pai dela, também tiveram a doença, que se manifestou com a idade. Sendo assim, crio mais um ponto para traçar uma linha de ligação com o velho Cintrão e sua filha Iza. Isso é bom e ainda vai render muita crônicas.

Mas confesso que ainda não absorvi muito bem às conseqüências da novidade. Terei que mudar meu comportamento. Fazer os exercícios que tanto prometi, mas não fiz. Controlar doces, massas e gorduras. Aprender a lidar com os desafios com menos ansiedade. Enfim, viver diferente.

Acho até que o inconsciente andava preparando o terreno para essa mudança. No último dia 8 de janeiro, comemorei um ano sem fumar, depois de décadas de vício. Nesse intervalo, nasceu o Pedro, meu filho mais novo, que completa seis esta semana (20). Na esteira das mudanças, eu já vinha comendo mais frutas e verduras.

A informática também aumentou gradativamente sua participação na minha rotina. Aprendi usar o Outlook para administrar meu cotidiano via agenda, a empregar o Excel no controle do orçamento familiar e a usar a Internet e o Palm para ler muito. Posso dizer que, hoje, tenho mais tempo para mim mesmo.

Portanto, se você estiver na rua e vir um sujeito vagamente parecido comigo, não deixe de olhar mais de uma vez. Pode ser que a criatura pálida, esquálida e cheia de olheiras seja este seu amigo do passado que ficou diferente, doce e emagrecente. Uma nova versão melhorada e bem revisada do Cintrão de antigamente.

7 comentários:

TIO BETO disse...

RAPAZ...
APAVOREI!!!
SERA QUE EU TB????
TENHO FEITO EXAMES E TEM DADO NEGATIVO.
EHEHEHEH
TE CUIDA!
E DA UM BEJAO NESSE MEU QUERIDO AI NO COLO!
BETO

estrela disse...

Bem-vindo primo Maurício!
Que bom este regresso...e uma foto com o Pedro, que está lindo.
Pois é aqui em Portugal, na família Cintrão, também temos alguns diabéticos, felizmente, a minha mãe e eu estamos imunes a esse problema, mas os primos daqui fazem dieta rigorosa e caminhadas diárias e até agora não têm necessidade de tomar insulina.
Como sempre gostei muito desta crónica.
Abençoados todos os 'Netos' que nos dão tão belo exemplo de vida!
Um grande abraço,
Belmira

Belmira disse...

Maurício,

Claro que a nota que menciona os 'Netos' é respeitante à 'Crónica do Dia' que tinha lido antes...a idade (62) tem o seu peso e a cabeça já não é o que era...
Belmira

Kenia Mello disse...

Gostei da versão doce, com o perdão do trocadilho. :)
Mas é isso aí, muitas vezes um baque desses serve pra gente rever coisas e fazer algo diferente por nós mesmos.
Que bom que você cuidou a tempo e o tratamento consiste, além das medicações, em vida saudável. É isso aí! Sucesso na empreitada.

Ah, sexta-feira passada estivemos com Paê, Elga e Sam aqui em Recife.

Beijo.

Anônimo disse...

Balu!

Há quanto tempo, rapaz!

Tava com saudades dos seus textos!

Diabetes não é o fim do mundo, mas muda muito a vida. O negócio é controlar a doença, seguir em frente e aproveitar outras coisas doces da vida.

Um abraço!
Fábio Barros, de Hellcife

Luciana disse...

Nós, os diabéticos! Eu também sou uma diabética. Conformada, até. Tenho 33 anos e sou diabética desde os 29. Nunca estive muito acima do peso, sempre tive uma alimentação até balanceada, mas ela apareceu. Tudo bem. Levamos em frente. Com mais cuidados, é claro, mas vamos embora. Tenho consiguido manter bem com dieta e atividade física. Tomo glimepirida 1 mg. Convido-o a conhecer o meu blog "Viver com Diabetes": http://vivercomdiabetes.wordpress.com

Anônimo disse...

Sou diabética a um ano e ainda nao aceitei essa idéia mas to levando minha vida pra frente,as vezes me deprimo fico furiosa,até mesmo penso na morte mas não sou a unica a ter diabétes...
descupem meu desabafo so faz parte de minha tristeza foi mal perdao a todos....
meu email: vani.ninha@hotmail.com