21 de jun de 2013

Romper o silêncio


Olha, estou há muito tempo sem escrever e isso não está certo. Preciso da escrita tanto quanto dos desenhos, das gravuras, dos bonecos empapelados e dos artesanatos em madeira e prendedores de roupas. Mas, por algum motivo (que ainda desconheço), parei de escrever.

Talvez não tenha muito o que dizer. É pouco provável, mas preciso considerar todas as hipóteses. Talvez não queira documentar o que tenho a dizer. Essa é uma boa tese a desenvolver. Ando infeliz com tantas coisas e pessoas que seria desastroso escrever tudo o que sinto, portanto, não escrevo.

Há uma outra: qualquer um pode escrever o que eu suponho que tenha a escrever. Aí o sapo morre atropelado. Para quê ficar pulando aqui e ali, de lá para cá se , no frigir do ovos, é isso mesmo. Não tenho nada de diferente a contribuir.

Acontece que quem cala consente e eu não estou muito contente com o que andam escrevendo por aí. Especialmente depois dessas manifestações infanto-juvenis que misturam necessidades básicas, questões disciplinares, pautas de reivindicação antibióticas (de amplo espectro) e necessidades de preencher os perfis no Facebook.

Gente, o raciocínio mais lúcido que li na Internet nos últimos dias foi: “De nada adianta irem às ruas como leões e depois votarem como jumentos”. De nada adianta gritarem para desfazer os poderes constituídos se nem 1% dos manifestantes está disposto a fazer sua parte para arrumar o que está estragado.

O Ministro Joaquim Barbosa, do STF, é um símbolo da luta pela moralidade. Ok, pode ser. Mas daí a achar que “derrubando” a presidente Dilma, ele assumirá e tudo ficará bem é de uma simplicidade estarrecedora. Tão simples que pode até parecer possível, mas não é.

Democracia se constrói com votos, com participação, com trabalho, com esforço, com sacrifício. Não existe Democracia fast food.  “Olha, não dostei do McDilma, dá prá trocar por um McBarbosa?”.

Quer dizer, pode até aparecer no mercado alguma oferta do tipo dois democratas, alface, queijo, molho especial, cebola, picles no pão com gergelim. Mas não caiam nessa. Há quase 50 anos ofereceram isso e até hoje o país vive com azia.

Pessoas, ainda acredito que o negócio é beijar e ser feliz. E se isso não é possível, vamos discutir seriamente as alternativas para o País, e não contestando futebolistas idiotas com piadinhas homofóbicas, ou procurando a cura para o prazer alheio, ou queimar carros de reportagem como símbolo de contestação à suposta venalidade da Mídia.

Destruir por destruir é pedir para o bicho voltar. E se ele voltar, serão anos de trevas. Se ficar, o bicho come. Se correr, o bicho pega.